São Paulo, 25 de junho de 2018

Ministério do Trabalho fala sobre fiscalização na Loggi


Em palestra realizada pela Superintendência Regional do Trabalho no
Estado de São Paulo - Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mostrou-se
as providências tomadas pelo governo federal em relação a precarização
das relações de trabalho cometidas pela empresa.

No caso da Loggi, ela foi autuada pelo MTE por irregularidades nas relações de trabalho, sendo-lhe
imposta uma série de multas que totalizaram cerca de
dois milhões de reais, além de ser obrigada a registrar
mais de 500 funcionários. A empresa recorreu e aguarda, assim como o SindimotoSP que tem denunciado
sistematicamente a escravidão imposta aos trabalhadores motociclistas pela Loggi, decisão final do caso.
Sergio Aoki, auditor Fiscal da Superintendência
Regional do Trabalho no Estado de São Paulo, falou
durante pouco mais de uma hora para sindicalistas,
empresários e motociclistas sobre o trabalho de investigação, após denúncia do SindimotoSP, que culminou
em sentença proferida pelo próprio MTE.
O auditor apresentou o modelo de trabalho logístico
da Loggi que deixou claro para o MTE, após investigação, que a empresa tem sim, relação empregadora.
Devido ao baixo custo operacional, ela pode ainda oferecer valores mais baixos ao tomador de serviço, realizando assim, concorrência desleal com as empresas
express instaladas fisicamente pela capital e demais
cidades brasileiras.
Dentre as diferenças apontadas na palestra que permitem a Loggi cobrar menos, estão: não ter base na
Capital, assim não paga imposto aqui, mas seu maior
filão comercial é a capital; motoboys ficam na rua
aguardando chamado, estímulo a velocidade, proibida
por lei, alegam também que não tem contrato empregatício porque contratam autônomos e, portanto, não
estão sujeitos a leis trabalhistas, monitoram o trabalhador, que aliás, não dá o preço da corrida e sim, tem que
aceitar o que é passado e recebe o pagamento só uma
vez por mês, entre outros fatores. Não obedecendo os
critérios da Loggi, o trabalhador é excluído da plataforma. Outra vantagem da Loggi é em relação a impostos.
Para se ter uma ideia, o ISS que recolhem em Barueri,
onde estão instalados, é de apenas R$ 0,40 para cada
R$ 100,00 enquanto que as empresas express pagam
R$ 5,00 para cada R$ 100,00.
Ainda na palestra, Sergio Aoki relatou que o MTE
conclui, depois de investigação feita em vários meses
no ano passado, que a Loggi não é uma empresa de
aplicativo e sim de motofrete que usa tecnologia e que
a empresa, por definir preços, procedimentos de serviços, monitoramento, contato com o tomador de serviços, pagamentos mensais de salário, exigência de uso
de uniforme, entre outros aspectos, mantém relação de
trabalho com os motociclistas profissionais.
A Superintendência do MTE está cobrando das prefeituras e até Receita Federal investigações na Loggi e
demais empresas que atuam no setor de motofrete via
aplicativos.

fonte: Jornal A Voz do Motoboy ed. 85 - abril 2018

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