São Paulo, 15 de Abril de 2017

Motociclistas da Loggi, Rapiddo, Uber, Vai Moto e outras de app trabalham precariamente


Sem perceber o que está acontecendo, trabalhadores motociclistas dessas empresas não tem direitos trabalhistas,
trabalham em jornadas excessivas e cada vez mais, veem os valores das corridas diminuir.
Recentemente, motociclistas foram vítimas
dessa prática nada convencional e foram
desligados da plataforma da Rapiddo,
que alega estar revisando o desempenho
dos profissionais e verificando os que não
atingem a pontuação 3 estrelas, assim
descrita pela empresa. Segundo motociclistas,
os valores das entregas também
estão baixando cada vez mais e assim,
muitos não pegam à corrida, o que dificulta
depois o trabalhador aumentar a pontuação.
Isso, de não pegar determinadas
corridas, segundo trabalhadores motociclistas,
gera ponto negativo e acaba sendo
motivo de desligamento.
A Rapiddo não fala como é essa pontuação
e ainda não dá prazo específico de
pagamento para os profissionais dispensados,
alegando que pagará as verbas da
quebra de contrato no próximo fluxo de
pagamento. O que se percebe nessa atitude
é o descaso com o trabalhador, o descompromisso
de qualificar o motociclista
para que ele corresponda as expectativas
da contratante e a falta de mais explicações
pelo desligamento.
As empresas de aplicativo no motofrete
visam o lucro sem custos mínimos, sem
de fato solidarizar-se com o profissional,
mantendo distância dos trabalhadores motociclistas,
deixando-os a mercê da própria
sorte, inclusive em caso de acidentes. Vale
ressaltar que os trabalhadores ao serem dispensados
não recebem direitos trabalhistas
como férias, 13º, FGTS e nem seguro desemprego,
mesmo tendo anos de casa.
Segundo o SindimotoSP, que solidariza-se com
os trabalhadores motociclistas do app, a situação
desses profissionais é cada vez mais precária e,
em que nenhum momento fugirá da responsabilidade
de representar e defender à categoria.
No desejo de sanar a situação diante do caos
que está esse setor que tem as relações de trabalho
prejudicadas pelas empresas de aplicativo,
esclarece que mais do que ninguém, deseja uma
solução definitiva para o fim da precarização dos
direitos trabalhistas cometidas por essas empresas
que só visam o lucro e que elas ofereçam, de fato,
condições dignas de trabalho.
Há algum tempo, o sindicato denunciou para
o Ministério Público do Trabalho (MPT) e Ministério
do Trabalho e Emprego (MTE) diversas vezes
essas empresas, tendo mediado reuniões entre
os ministérios, trabalhadores e empresa de App
e que, agora, aguarda os procedimentos investigatórios
contra elas pelos próprios ministérios, inclusive
Ministério da Fazenda por “suposta” não
declaração específica de Notas Fiscais declarando
serviços prestados (para recolhimento de Imposto
de Renda).
Essa ação do SindimotoSP em defesa dos trabalhadores
motociclistas, que levou ao conhecimento
dos MPTs do Ceará e Rio de Janeiro, agora
tem as instituições públicas sensíveis à causa do
trabalhador.
O SindimotoSP ainda alerta que tem conversado
com os motociclistas repetidamente que eles
levaram, literalmente falando, “um passa moleque”
das empresas de aplicativo em seus direitos
trabalhistas e são levados a pensar que são
empresários, não trabalhadores de CLT. Mas, que
Mensagem enviada a um
motociclista comunicando o
desligamento. Explicação da
empresa é inconsistente.
O motociclista questiona o
porquê da dispensa. Empresa
cita procedimento padrão
sem mais explicações.
empresário recebe ordens de terceiros, ficam com
a menor parte do lucro, trabalham extensas jornadas,
não ditam o preço do trabalho nem as regras,
pelo contrário, não emite nota fiscal e ainda tem
que obedecer cegamente as orientações, senão é
desligado da plataforma?
O SindimotoSP esclarece que desde que levou
as empresas para mediação no MPT e MTE, elas
não abaixaram o valor da entrega, criaram comitê
de discussão e ouviram os trabalhadores, mas, com
o esvaziamento da pauta de reivindicações dos
próprios trabalhadores e da “malandragem” das
empresas em diminuir a força do sindicato junto
aos motociclistas, o movimento enfraqueceu e as
empresas como Loggi e Rapiddo estão deitando e
rolando, abaixando preços, aumentando jornada e
o número de profissionais nas plataformas etc.
É preciso realinhar forças, união e objetividade,
bem como os trabalhadores do setor decidirem
se desejam ser CLT, porque assim, é possível
negociar Convenção Coletiva e garantir todo ano,
aumentos, benefícios e melhorias e não ficar na
mão de pessoas que apenas querem o lucro, sem
pensar que, numa falta ou óbito, quem vai sofrer
é a família que fica!

fonte: Imprensa Jornal a Voz do Motoboy

<< ver outros artigos