São Paulo, 11 de Abril de 2017

Cuidado com o barulho


Você sabia que o barulho produzido pelo trânsito leva a surdez e a incapacidade para o trabalho no transporte?
Sabia que esse barulho produz doença do trabalho?
Cuidado com o barulho
Os motoristas em geral não estão ligados no risco
que o barulho produzido pelo trânsito é capaz de
causar. Ele produz redução da audição, zumbidos e
surdez. Quanto maior o barulho e quanto maior o
tempo de exposição diária maior será a perda. Não
acontece num dia, logicamente, há necessidade de
exposição prolongada. Depende também da sensibilidade
de cada um e de doenças pré existentes ligadas
à audição. A legislação do trabalho recomenda
que o trabalhador não deva ficar exposto a ruído
acima de 85 decibéis por mais de 8 horas por dia.
Hoje, o Código de Trânsito Brasileiro, discordando
da Legislação do Trabalho, não recomenda uso de
protetores auriculares para aqueles que trabalham
no transporte, mesmo sabendo tratar-se de ambiente
extremamente ruidoso. Deixa dessa maneira
totalmente desprotegidos os motociclistas e motoristas
em geral. Em estudos realizados com o ruído
produzido pelo trânsito chegamos a concluir que
20% dos investigados eram portadores de perdas
auditivas importantes, e não sabiam. Lembro aqui
que perda auditiva é uma redução da audição que
pode chegar à surdez, e surdez é uma perda auditiva
profunda, irreversível, e é hoje incapacitante
para atividade profissional no transporte. E como se
percebe que está ocorrendo essas perdas? A perda
é gradual. Não é perceptível. Vai-se perdendo com
a maior intensidade do ruído e com tempo de exposição.
Lógico que depende também de outros
fatores como idade, suscetibilidade, fator familiar,
doenças pré-existentes, etc. Outras vezes o indivíduo
observa que tem dificuldade para ouvir a televisão
quando alguém conversa próximo. É comum
também o indivíduo procurar o médico porque percebe
um barulho dentro da orelha (ouvido), como
se fosse o barulho de uma cachoeira, alguns até referem
que parece existir um grilo dentro do ouvido.
Esse barulho, eles referem que aumenta durante
a noite e que não conseguem dormir por isso. O
zumbido, a perda auditiva e a surdez são lesões
evolutivas e definitivas, isto é, não tem retorno, não
há recuperação e leva o indivíduo a incapacidade
social e funcional. Como proceder? O uso de protetor
auricular (plug ou abafador de ruído) seria a alternativa.
A legislação de trânsito não recomenda tal
proteção. A única opção que nos resta é reduzir o
tempo de exposição do motociclista e do motorista
ao ruído. Daí pode-se entender porque de longa
data recomendamos redução da jornada de trabalho
para todos aqueles que direta ou indiretamente
estão expostos aos ruídos produzidos pelo trânsito
dos grandes centos, durante a jornada de trabalho.
Como o motociclista, motorista
e a empresa devem agir?
Devem inicialmente zelar pela boa manutenção
da máquina. A máquina bem cuidada faz
menos barulho. Atuar sempre na redução desses
ruídos, observando vibrações, regulagem, descarga,
ajustes, amortecedores, suspensão, etc. Sempre
lembrar que buzina é outra fonte de ruído
e como tal não deve ser usada para abrir caminho.
Esta buzina também causa perda auditiva,
zumbidos e surdez, mesmo usada de maneira
intermitente como hoje fazem os motoboys. No
exame médico admissional deve ser incluído a
realização de uma audiometria. Nesse exame é
medido o nível de audição. Essa audiometria inicial
servirá de parâmetro para os exames posteriores.
A cada ano, faz-se no exame periódico, a
audiometria, obedecendo ao Programa de Controle
Médico da Saúde Ocupacional (PCMSO)
do Ministério do Trabalho e Emprego. Essa nova
audiometria será comparada a anterior. O médico
avaliará e havendo perda tomará dentro das
medidas preventivas já apresentadas a conduta
ideal. Pode ser que seja o momento de se fazer
um Comunicado de Doença do Trabalho (CAT)
ao INSS. Dessa forma não se permite que o trabalhador
chegue à surdez e incapacidade parcial
ou total com prejuízo ao homem, à família, a empresa,
a sociedade e ao país.
Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior
Diretor de Comunicação e do Departamento
de Medicina de Tráfego Ocupacional da ABRAMET
Contatos: dirceurodrigues@abramet.org.br

fonte: assessoria imprensa

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