São Paulo, 15 de Abril de 2017

Fragilizados no trânsito


Fragilizados no trânsito
São mutilados e outros lesionados que chegam aos
prontos socorros muitos sem possibilidade de recuperação
que evoluem para óbito. Outros com incapacidades
temporária ou definitiva passando a cadeirantes ou
dependentes de cuidados de enfermagem permanente.
É sofrimento para todos nós. Sair de uma UTI como
profissional de saúde para informar a família à evolução
desfavorável de um acidentado de trânsito e mais tarde
informar sobre o óbito, é triste, muito triste para aqueles
que pretendem preservar vidas. Pior, não havia uma doença
em evolução, era um indivíduo que subitamente
foi transformado na via pública num doente. E para isso,
não é tomada nenhuma medida cautelar. São manchetes
da mídia todos os dias. Ninguém tenta transformar o
pedestre em um usuário da mobilidade segura.
A proteção maior, de longa data, parece direcionada
para os veículos médios e pesados. Após isso, faixas exclusivas
foram intensificadas para proteção dos motociclistas,
mas já foram interrompidas passando a ser prioridade
construção de ciclo faixas para proteção dos ciclistas.
E os pedestres, quando terão a atenção permanente
dos municípios para uma mobilidade segura?
Este gráfico mostra óbitos de pedestres ocorridos
na cidade de São Paulo no período de 2005 a 2014.
Em nove anos houve uma queda de 7,4%, o que
significa 0,8% ao ano. Valores muito a baixo do que
pretendemos na atualidade.
Calçadas esburacadas, postes de iluminação e sinalização
no caminho, árvores, degraus, obstáculos
os mais variados impedem um transitar seguro para o
nosso pedestre e nosso deficiente físico. Mas não é só
isso, guia ou meio-fio com pequena altura permitindo
com facilidade a subida de um veículo à calçada. Faz-se
lei para garantir um estacionamento privativo para os
deficientes, mas não se obriga ou fiscaliza um transitar
seguro para um cadeirante.
Locais de concentração de pessoas, como nos grandes
cruzamentos, pontos de ônibus, curvas perigosas,
locais de risco não podem deixar tão expostos àqueles
mais frágeis. O perigo de queda pelas irregularidades,
o estreitamento da calçada ou ausência da mesma, a
necessidade de caminhar pela rua para desviar dos
obstáculos mostram o desinteresse dos governantes
em querer proteger a vida daqueles que deambulam
pelas vias.
Campanhas são iniciadas e logo findam. Leis são
aprovadas, mas não são cumpridas e tão pouco fiscalizadas.
O foco da proteção é direcionado para aqueles
que estão sobre rodas. Os sem rodas estão suscetíveis
às múltiplas agressões de tudo que citamos e ainda
submetidos a intenso ruído e caminhar respirando gases
vapores, poeiras e fuligens.
Interessante é que o motorista, motociclista, ciclista
quando estacionam seus veículos e descem passam a
condição de pedestre. Quando estão na direção reclamam
e rejeitam o pedestre e quando são pedestres
reprovam as atitudes dos que estão sobre rodas. Os
focos são divergentes, não há consciência de que todos
são frágeis e precisam ser respeitados e protegidos.
Será que não estamos tendo a visão global para proteger
todos, começando pelos mais frágeis?
Precisamos de atitudes para preservar vidas instalando
gradis com elevação das guias nos cruzamentos
perigosos, onde há concentração de pessoas como nas
paradas de ônibus, correção dos pisos, alargamento
das calçadas, mais passarelas ou túneis, desobstruir trajetos
e tudo mais.
Temos observado a crescente chegada aos prontos
socorros desses pedestres com lesões graves, gravíssimas
quando transitam nas calçadas e nas esquinas dos
grandes centros.
A desobediência e a falta de conhecimento das regras
de trânsito são outros motivos para reprovarmos
atitudes governamentais que não são tomadas com
relação à ausência de educação de trânsito, fiscalização,
reformas de calçadas e criação de alternativas para
conter as agressões que se vê na via pública.
É a ABRAMET querendo proteger vidas.
Dr. Dirceu Rodrigues Alves
Diretor de Comunicação e Chefe do
Departamento de Medicina de Tráfego
Ocupacional da ABRAMET - Associação
Brasileira de Medicina de Tráfego

fonte: Imprensa Jornal a Voz do Motoboy

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