São Paulo, 16 de Abril de 2017

Motociclistas e médicos em busca da mobilidade saudável


A convivência entre médicos e motociclistas acontece desde que as motocicletas surgiram como um veículo ágil, veloz e econômico para o transporte de pessoas e pequenos objetos. Infelizmente nem sempre estes encontros acontecem em circunstâncias agradáveis e, cada vez com maior frequência, os serviços de primeiros socorros, pronto-socorros, hospitais e consultórios especializados têm servido como ponto de encontro.

É praticamente impossível resistir à sedução da motocicleta. Veículo de grande apelo para o jovem graças ao extraordinário ganho de mobilidade que proporciona, casando de maneira perfeita com os sonhos juvenis de busca da independência, de instrumento para a conquista da parceira e de pertencimento ao grupo. 

Como costuma acontecer, porém, esta paixão torna o jovem cego para a percepção de riscos, o que, ao lado da natural procura por fortes emoções e submissão às vontades da tribo, também características da idade, tornam o jovem presa fácil dos perigos inerentes ao trânsito motorizado, onde a energia de bólidos em veloz movimento revelam, quando ocorre o acidente, a nossa humana fragilidade, após acidentes de trânsito, nos centros cirúrgicos e consultórios especializados.

Circunstâncias dolorosas, trágicas, não custa repetir, quase sempre lidando com incapacidades permanentes, ferimentos gravíssimos e muitas das vezes fatais. Nos últimos tempos, médicos do tráfego e sindicalistas motociclistas passaram a se encontrar com frequência cada vez maior, quase diária, e esta é a notícia alvissareira, antes dos acidentes, nos gabinetes dos entes públicos que regulam o trânsito, a União, os Estados e/ou os Municípios, e com frequência, evitar o acidente, e por consequência, a dor e mortes que deles resultam, é a missão tanto da Abramet - Associação Brasileira de Medicina do Tráfego - quanto do SindimotoSP, e o diálogo estabelecido comprova que a ação conjunta, pensamentos alinhados e propósitos elevados, deixando de lado a esquizofrênica procura por culpados, contribuem de modo benéfico com o Poder Público na busca da mobilidade saudável.

Hoje nossas entidades podem afirmar que exercem benéfica pressão social positiva sobre as instâncias oficiais. Em mega cidades como São Paulo, o motociclista passou a desempenhar papel de importância vital na circulação das pessoas e de suas necessidades - medicamentos, alimentos, documentos etc. Para a vida das pessoas e para a vida das cidades cabe o paralelo quanto à imprescindibilidade e ao dano provável representado pela impossibilidade de o sangue continuar a fluir nas nossas veias e o motociclista nas nossas vias. 

Uma das vertentes desta inusitada parceria dos gestores públicos com os profissionais da saúde e do motociclismo é o compromisso de evitar ou diminuir os acidentes com motociclistas e ocupantes de motocicletas e estar preparados, caso eles aconteçam, a atendê-los com presteza e eficiência. 

Este diálogo, agora constante, e que constitui já uma agenda permanente, gera expectativas de que possamos,representantes dos médicos do tráfego, dos sindicalistas e do poder público, construir uma nova relação entre os usuários das vias, de modo a possibilitar a mobilidade cidadã, onde o respeito à vida seja o bem maior a ser considerado.


Dr. José Heverardo da Costa Montal é presidente da Abramet, formado em medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e especialista em Medicina de Tráfego.



fonte: Voz do Motoboy

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