São Paulo, 15 de Abril de 2017

Motoboys trabalham em regime de escravidão para empresas de aplicativo de motofrete em pleno século 21


Antes, elas ofereciam o paraíso, tratavam os profissionais
como amigos, distribuíam simpatia e brindes
para seduzir o trabalhador com altos ganhos, mas,
passado o tempo, essas empresas até então com
cara (e jeito) de cordeiro revelaram-se lobos vorazes
e interessados em uma única coisa: explorar o motociclista.
Estas empresas não entendem que o setor
é regulamentado e possui Convenções Coletivas
com direitos conquistados ao longo de quase uma
década de lutas. Elas usam o artifício da contratação
via MEI (micro-empreendedor individual) e com isso
não pagam direitos trabalhistas, conseguem oferecer
preços melhores para os tomadores de serviço, já
que não pagam impostos municipais com as empresas
de motofrete convencional e ainda, precarizam as
relações trabalhistas.
As promessas no começo do cadastro dos profissionais
eram salário acima de R$ 5 mil, jornada de
trabalho flexível, entre outras promessas, mas, atualmente,
as empresas sistematicamente não tem
cumprido o prometido, aumentando seus próprios
lucros e exigindo do trabalhador serviço escravo com
longas jornadas de trabalho. Os motociclistas que trabalham
para essas empresas, tem custo fixo que gira
em torno de R$ 2,5 mil fixos por mês, e, agora, as
mesmas que tratavam motociclistas como parceiros,
não conseguem dialogar com as empresas. Segundo
informações dos próprios trabalhadores do setor,
estão sendo coagidos com o recado de que serão
bloqueados no sistema de Apps. Aliás, as empresas
estão promovendo práticas anti sindicais porque o
motoboy tem direito de consultar seu sindicato, mas
são proibidos.
A Lei Áurea aboliu a
escravatura no Brasil em
1888, mas, ainda hoje existem
trabalhadores em situação de
escravidão no Brasil. A nova
moda imposta por empresas
de aplicativos no motofrete
começou em São Paulo e já se
espalhou por todo Brasil.
Os trabalhadores dos aplicativos querem:
1. Criação de um instrumento jurídico através de regulamentação para regularizar preço fixo por serviço, local
de parada, km rodado e tempo de espera pago.
2. Benefícios como café da manha, vale-refeição, no caso do Delivery, a noite Janta, Cesta Básica, aluguel de
moto, periculosidade etc.
3. Fim do leilão de preços entre as empresas de aplicativos.
4. Participação nos lucros das empresas.
5. Espaço adequado para espera com água mineral, espaço para descanso, banheiro e local de refeição.
6. Limite de profissionais no quadro de prestadores de serviço.
7. Valor repassado ao motociclista profissional conforme tabela.
8. Desobrigação do uso de baú e jaqueta com identificação das empresas que colocam em risco a segurança
do profissional.
9. Fim da pressão para entregas mais rápidas.
10. Identificação do produto a ser entregue, para fim de roubo/perda/danos e obrigação da empresa em
custeá-los.

fonte: Imprensa Jornal a Voz do Motoboy

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